Análise crítica do relatório NOSSO FUTURO COMUM e ECO - 92
Análise crítica da concepção dominante de desenvolvimento sustentável baseada no relatório NOSSO FUTURO COMUM e ECO - 92 sob a ótica de Amartya Sem e Ignacy Sach: implicações para a formulação de políticas públicas
“Há
só uma Terra, mas não só um Mundo. Todos nós dependemos de uma biosfera para
conservar nossas vidas. Mesmo assim, cada comunidade, cada país luta pela
sobrevivência e pela prosperidade quase sem levar em consideração o impacto que
causa sobre os demais” (Relatório Brundtland, Nosso Futuro Comum).
Historicamente, crescimento econômico foi
diretamente ligado à exploração abusiva de recursos naturais, à produção
predatória em que a industrialização pós-revolução industrial nos encaminhou
com intuito de maximizar lucros e reduzir custos, criando assim uma massa
consumidora proletariada com capacidades de produzir e de consumir assim
sustentando a nova ordem econômica ocorrida principalmente a partir do séc.
XIX. A vantagem de se acumular capital
permitida a partir do momento histórico em que o desenvolvimento econômico
necessariamente se liga a processos dinâmicos.
Novas tecnologias promoveram as revoluções industriais a partir do
século XVIII e foram responsáveis pelos desenvolvimentos das nações que hoje
integram o chamado primeiro mundo.
Por definição,o
desenvolvimento econômico é um conceito que por sua amplitude aproxima a
economia das demais ciências sociais. Sua caracterização não se restringe ao
crescimento da produção em uma região, mas trata principalmente de aspectos
qualitativos relacionados ao crescimento. Os mais imediatos referem-se à forma
como os frutos do crescimento são distribuídos na sociedade, à redução da
pobreza, à elevação dos salários e de outras formas de renda, ao aumento da
produtividade do trabalho e à repartição dos ganhos dele decorrentes, ao
aperfeiçoamento das condições de trabalho, à melhoria das condições
habitacionais, ao maior acesso à saúde e à educação, aos aumentos do acesso e
do tempo de lazer, à melhora da alimentar e à melhor qualidade de vida em seu
todo envolvendo condições de transporte, segurança e baixos níveis de poluição,
que por sua vez influenciam na saúde e outros.
Os relatórios
“Não
haverá paz global sem direitos humanos, desenvolvimento sustentável e redução
das distâncias entre os ricos e os pobres. Nosso Futuro Comum depende do
entendimento e do senso de responsabilidade em relação ao direito de
oportunidade para todos”. (Harlem Brundtland)
RELATÓRIO NOSSO FUTURO COMUM
O Relatório Nosso Futuro Comum também é
conhecido como Relatório Brundltand, devido à primeira ministra da Noruega Gro
Harlen Brundltandque então presidia a Comissão Sobre Meio Ambiente e
Desenvolvimento (CMMAD), criada pela Assembleia Geral da ONU em 1983 e também por
Mansour Khalid ex- ministro de relações exteriores do Sudão.
O documento discute as
formas de desenvolvimento, denominado desenvolvimento sustentável, em quem
sugeresua incompatibilidade com os atuais sistemas de produção e consumo, visto
que estes promove a degradação do meio ambiente comprometendo assim nosso
futuro, já aquele se preocupa com em atender as necessidades presentes sem comprometer
as futuras bem como a qualidade de vidas das próximas gerações. Assim há que
repensar as relações do ser humano com o ambiente conciliando tais questões, e
não soluções "radicais" como a estagnação do crescimento econômico, a
saber, defendia o uso de fontes de energia renováveis bem como o
uso/desenvolvimento de novas tecnologias ecológicas e a adaptação da indústria
pra tal, controle e ordenamento da urbanização, integração campo-cidade,
limitação do crescimento populacional, além de garantia e atendimento dos
recursos e necessidades básicas. A nívelinternacional propõe a proteção dos
ecossistemas supranacionais, adoção da estratégia de desenvolvimento
sustentável pelos órgãos e instituições internacionais de financiamento, além
da implementação de um programa de desenvolvimento sustentável pela ONU.
ECO- 92
Realizada no Rio de
Janeiro em junho de 1992, A Eco 92, ou Cúpula da Terra foi uma conferênciadas
Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, na qual 179 chefes de
Estado se reuniram para debater as formas de desenvolvimento sustentável,
desses 92 assinaram um documento a fim de promover este novo "padrão"
de desenvolvimento e nortearsuas ações, a chamada Agenda 21 conta com 40
capítulos nos quais de vem se destacar:
Capítulo 2 - Cooperação
internacional para acelerar o desenvolvimento sustentável dos países em
desenvolvimento e políticas internas correlatadas -em que são discutidasa
Promoção do Desenvolvimento Sustentável por meio do comércio, o Estabelecimento
de um apoio recíproco entre comércio e meio ambiente, a Oferta de recursos
financeiros suficientes aos países em desenvolvimento e Estímulo a políticas
econômicas favoráveis ao Desenvolvimento Sustentável.
“Para fazer frente aos desafios dos meio ambientes e do
desenvolvimento, os Estados decidiram estabelecer uma nova parceria mundial.
Essa parceria compromete todos os Estados a estabelecer um diálogo permanente e
construtivo, inspirado na necessidade de atingir uma economia em nível mundial
mais eficiente e equitativa, sem perder de vista a interdependência crescente
da comunidade das nações e o fato de que o desenvolvimento sustentável deve tornar-se
um item prioritário na agenda da comunidade internacional” (Relatório ECO92).
Os capítulos posteriores
se dispõem às necessidades básicas como o combate à pobreza, a proteção e
promoção da saúde humana, a promoção do desenvolvimento sustentável dos
assentamentos humanos, ou seja, habitação, manejo do uso da terra, água,
saneamento, drenagem, manejo de resíduos sólidos, transporte, energia,
planejamento e manejo das populações em áreas de risco, além de colocar na
pauta a interação do desenvolvimento e meio ambiente no processo de tomada de
decisões e estabelecer a criações de estruturas reguladoras que se utilizem
instrumentos eficazes de incentivos de mercado e o estabelecimento de sistemas
de contabilidade ambiental e econômica intregada.Além de tocar em pontos como
proteção atmosférica,desflorestamento,seca, e no fortalecimento de grupos que
vão desde Organizações Não Governamentais, trabalhadores, acadêmicos a
indígenas, agricultores, indústria e comércio.
Olhares sobre o desenvolvimento
"Em um mundo
globalizado, estamos todos interconectados. Os ricos estão vulneráveis às
ameaças contra os pobres e os fortes, vulneráveis aos perigos que atingem os
fracos”(Gro Harlem Brundtland).
Conceito definido pela
Comissão Brundtlandcomo sendo desenvolvimento social, econômico e cultural, que
atende às demandas do presente sem comprometer as necessidades do futuro. Desenvolvimento
este, que não comprometesseaos ecossistemas. É o desenvolvimento que atende da
melhor forma possível as necessidades atuais e futuras do homem, sem afetar o
ambiente e a diversidade biológica.
Uma situação hipotética irreal, visto
que a produção em massa possibilitada pela industrialização e mecanização
iniciada no séculoXVIII somada aocrescimento populacional foram imposições
realizadas em um período em que se buscava o progresso, pós-fase essencialmente
agrícola em que a sociedade baseava-seem função de trocas, passando ao acúmulo
de capital.
O conceito de
desenvolvimento sustentado ou sustentável, também chamado ecodesenvolvimento,
originou se em 1968, em Paris, na BiosphereConference, e ganhou espaço no mundo
acadêmico e na opinião pública internacional a partir da Conferência de
Estocolmo, em 1972. Complexo e controverso a definição possui dificuldade de se
firmar, porém com a ciência de que é multidisciplinar, abarcando as dimensões:
ambiental,econômica, cultural, tecnológica, social, política e ética. Ainda dificulta-se por se tratar de um
processo em níveis globais. Acordos e conciliações, em âmbito regional são
dificultosos. Ao se tratar de literalmente uma dimensão planetária demudanças
profundas na forma de pensar, agir, produzir e consumir; vontade política para
implementar as mudanças e principalmente departicipação democrática de todos
nas decisões que envolvem as mudanças necessárias.
Sachs como um economista
humanista foi um dos estudiosos pioneiros a trabalhar sobre a questão.
A partir desse conceito
científico, foi desenvolvido o termo ecodesenvolvimento, que se popularizou
principalmente a partir da Rio92 e que evoluiu para desenvolvimento
sustentável, mais usado atualmente. “É uma visão do desenvolvimento em que os
objetivos são sempre os sociais, existe uma condicionalidade ambiental e, para
que as coisas aconteçam, é preciso dar às propostas uma viabilidade econômica”.
Embora reconheça que até hoje nenhum país adotou plenamente o conceito de
desenvolvimento sustentável, ele é otimista quanto à inclusão do termo nas
políticas públicas atuais. Desde Estocolmo em 1972 avançamos muito nessa ideia
de abrir a cabeça dos que fazem a política sobre a necessidade dese contemplar
conjuntamente essas três dimensões. É difícil hoje encontrar um dirigente que
não reconheça a importância do social e do ambiental.
Na obra Caminhos para um
Desenvolvimento Sustentável, Sach possui a capacidade de transitar bem entre a
dualidade: sociedades humanas e a natureza quanto fora em Ecodesenvolvimento,
sendo autor de outros trabalhos comoCrescer sem Destruir,e Espaços, tempos e
estratégias do desenvolvimento. O modo como trata estes assuntos é sempre
responsável trazendo uma profunda compreensão dos problemas complexos do mundo
contemporâneo. É possível perceber em “Caminhos para o Desenvolvimento
Sustentável”, o quanto o autor ressalta a importância da conservação da
natureza e a diminuição dos gastos que tornaram-se insustentáveis. No primeiro artigo apresentado– Rumo a uma
Moderna Civilização Baseada em Biomassa–o autor teoriza a “invenção” de uma
moderna forma de se viver, por meio do aproveitamento sustentável dos recursos
renováveis. Segundo Sachs (2000, p.32), a “conservação e aproveitamento
racional da natureza podem e devem andar juntos”.
Ao se propor uma
definição para sustentabilidade, pode-se afirmar que ela se opõe-se a tudo o
que sugere desequilíbrio, competição, conflito, ganância, individualismo,
domínio, destruição, expropriação e conquistas materiais indevidas e
desequilibradas, emtermos de mudanças e transformação da sociedade ou do
ambiente. Amartya Sem defenderia que todos estes sejam fruto das “privações”,
econômicas, sociais, de direitos e principalmente de liberdades em geral. Num
ambiente propício, aumentariam as chances da real existência do meio ambiente
equilibrado associado às sociedades saudáveis, tido como utópico por vários autores.
.
“Uma concepção
adequada de desenvolvimento de ir muito além da acumulação de riqueza e de
crescimento do Produto Nacional Bruto e de outras variáveis relacionadas à
rendas”. Sem desconsideram a importância do crescimento econômico precisamos enxergar
muito além dele.
Os fins e os meios do
desenvolvimento requerem análise e exame minuciosos para uma compreensão mais plena
de desenvolvimento; é sem dúvida inadequado adotar como nosso objetivo básico
apenas a maximização da renda ou da riqueza, que é como observou Aristóteles, “meramente
útil e em proveito de alguma outra coisa; ‘“. Pela mesma razão, o crescimento
econômico não pode sensatamente ser considerado um fim em si mesmo.O
desenvolvimento tem de estar relacionado, sobretudo com a melhora da vida que
levamos e das liberdade que desfrutamos(Sen, Amartya)
Amartya
Sen tornou-se famoso por discorrere por seus trabalhos com enfoques em economia
e filosofia. Abrangendo assuntos
complementares à economiacomocrescimento econômico, escolha racional, escolha
social, economia do bem-estar, pobreza e desigualdade, desenvolvimento econômico
e filosofia política normativa.
Em desenvolvimento como
liberdade, são apresentadosos argumentos de Sen em defesa da abordagem das
capacitações em reação às proposições de John Rawls, mostrando a evolução do
debate sobre justiça distributiva, e como seria a contribuição positiva no
mundo. Suas ideias ligadas ao desenvolvimento, buscando relacioná-las as ideias
em que Sen defende sobrede que ética e economia não podem ser consideradas com
funções distintas e opostas, e que, por isso, a filosofia política normativa
também deve ser trabalhada em conjunto aodesenvolvimento econômico.
Aproblemática amplia-se através da lógica econômica. Como diz Simão Marrul:
"legitimando a atual economia de mercado e seu projeto de desenvolvimento,
o conceito de desenvolvimento sustentável perde a possibilidade de ser portador
de uma nova utopia para a construção de outras bases civilizatórias, portanto,
de outro futuro".
O interessante é que
ambos se tratam de economistas humanistas e, enquanto Sachs tem um enfoque em
sustentabilidade, Amartya Senatua em maior parte do tempo preocupando-se com o
desenvolvimento humano e suas capacidades e quais motivos existentes podem
gerar limitações para estas capacidades. E no caso, o desenvolvimento
sustentável é visto como consequência do estado de talvez “bem-estar” “ou
possível definição variável de” “felicidade “em que Sen reflete em seu livro
Desenvolvimento como liberdade” Para Sen, o desenvolvimento seria o resultado
de múltiplas variantes de situações de “liberdades” que o Homem deve possuir”
Caso não esteja numa situação de conforto, (seja financeiro de acúmulo de
recursos econômicos ou não, dependendo da sociedade em que se pertence), este
não vive um ambiente propício para se preocupar com a sustentabilidade
ambiental. No caso, o problema das sociedades deve ser atribuído ao governo a
quem pertence devido aos estudos sobre o bem-estar social nem sempre depender
tão diretamente da situação econômica daquela nação.
Implicações nas políticas públicas
O desenvolvimento tem de
estar relacionado sobretudo com a melhora da vida que levamos e da liberdade
que desfrutamos
A geração atual possui a
difícil senão impossível missão de conciliar desenvolvimento econômico, social
e a sustentabilidade ambiental em uma época em que a tripartite deve ser
pensada em conjunto, sobre o qual uma auxilia e complementa a outra, sobretudo
porque presenciamos uma geração de assentamento e permanência do capitalismo e
neoliberalismo econômico mundial. O Progresso econômico, este que esgota os
recursos naturais, deve ser previamente planejado da forma correta e que o
processo se “auto sustente” afim de não se esgotar mediante a exploração intensa,
a sustentabilidade deve ser real visto que alguns itens naturais sejamcíclicose
finitos. “As políticas públicas podem e devem se respaldar legalmente nos
acordos anteriormente citados tanto para formulação de novas políticas como
para “ajustar” as anteriores que vão de encontro aos ideais sustentáveis,
promovendo ações que estimulem esse” novo olhar” do que significa
desenvolvimento. Prevê-se que as futuras políticas públicas terão um cuidado a
mais na sua formulação o que se refere aos impactos sociais e ambientais que
possam causar.
Referências
Ministério do Meio Ambiente http://www.mma.gov.br/responsabilidade-socioambiental/agenda-21/agenda-21-global
SEN, Amartya; Desenvolvimento como liberdade; Companhia das Letras 2000.
Organizações das Nações Unidas. O
Futuro que Queremos, 2012. Disponível em
http://www.onu.org.br/rio20/img/2012/03/Rio+20_Futuro_que_queremos_guia.pdf
Organizações das Nações Unidas. Relatório nosso Futuro Comum, 1987
disponível em https://ambiente.wordpress.com/2011/03/22/relatrio-brundtland-a-verso-original/
NOVAES, Washington. Eco -92: avanços e interrogações,1992. Disponível em
http://www.scielo.br/pdf/ea/v6n15/v6n15a05.pdf
https://en.wikipedia.org/wiki/Mansour_Khalid
Produzido por : Fernanda Roberta e Mina Nakata
Produzido por : Fernanda Roberta e Mina Nakata
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